Disputa em tintas avança no segmento premium

Fonte: Valor Econômico, Daniela D’Ambrosio

O aquecimento da economia está mudando o comportamento dos fabricantes de tintas. A disputa, que nos últimos anos esteve mais acirrada no segmento popular, agora volta-se para o mercado premium – onde as margens são melhores e a concorrência com as marcas pequenas é menor.

A resposta positiva do consumidor aos produtos mais elaborados, com tecnologia diferenciada – e, principalmente, mais caros – levou as multinacionais do setor a concentrar verbas e lançamentos nos produtos de maior valor agregado.

Líder global no mercado de tintas, AkzoNobel, empresa americana que adquiriu a ICI, então proprietária das tintas Coral, pretende investir mais de R$ 100 milhões este ano na subsidiária brasileira. Deste valor, R$ 50 milhões serão destinados a ampliação da capacidade produtiva – a empresa não revela quanto – e pouco mais de R$ 50 milhões em marketing.

“O segmento premium é cada vez mais importante para a empresa”, afirma Jaap Kuiper, presidente da AkzoNobel para América Latina. De acordo com o executivo, cerca de 30% das vendas da companhia estão no segmento premium. Com um faturamento no Brasil de R$ 2 bilhões no ano passado, dos quais cerca de R$ 1 bilhão em tintas decorativas, a Coral não tem a liderança de mercado, que está nas mãos da Suvinil, da Basf. Mas pretende crescer sua fatia: hoje a companhia tem cerca de 25% de mercado e o objetivo é atingir de 27% a 28% até o fim do ano. A companhia estima um aumento do faturamento na casa de 10% em 2010, o mesmo que alcançou em 2009.

Concorrente direta, a Suvinil também aposta no mercado de maior valor agregado. Segundo a própria companhia, a marca tem uma participação de 60% entre os produtos premium. A Suvinil vai investir R$ 100 milhões em marketing este ano e lançou três produtos – contra mofo e maresia, com efeito camurça e sem respingos – todos no rol dos produtos mais caros. “Cerca de 60% das nossas vendas são de lançamentos, é um valor parecido com a de indústria de cosméticos”, afirma Antonio Carlos Lacerda, vice-presidente de tintas para a América do Sul da Basf.

A empresa pretende investir R$ 140 milhões na ampliação da capacidade produtiva nos próximos cinco anos. São R$ 50 milhões na fábrica de São Bernardo – que pretende alcançar o título de maior do mundo em tintas – R$ 20 milhões na fábrica de vernizes em Jaboatão dos Guararapes (PE) e R$ 70 milhões em uma nova unidade em Guaratinguetá. Até que a ampliação da unidade de São Bernardo fique pronta, daqui a um ano e meio, a empresa resolveu ampliar um turno. Já contratou 80 funcionários e irá admitir mais 60 no primeiro trimestre de 2011. “Crescemos mais de 30% no primeiro semestre”, diz Lacerda.

Líder nos Estados Unidos, a Sherwin-Williams também disputa o segmento de tintas mais caras com a marca Metalatex e investe para aumentar sua participação de cerca de 14% no mercado brasileiro. Este ano, lançou uma tinta para telhados e outra com impermeabilizante. Em 2009, as vendas da companhia no Brasil cresceram 12% em valor e 4,5% em volume. Este ano, até maio, o movimento da Sherwin-Williams subiu 12% em volume em comparação com o mesmo período do ano passado.

No mercado premium, as empresas encontram espaço para os produtos com apelo ecológico, que exigem alta tecnologia e, portanto, custam mais caro. A nova aposta da Coral, que chega hoje ao mercado, é uma tinta branca com tecnologia patenteada que reflete até 74% mais luz. A lata vai custar R$ 215, cerca de 20% acima das tintas premium.

Segundo dados da Abrafati (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas), no primeiro semestre o mercado cresceu 30%. Como houve reposição de estoque – no início do ano passado as empresas reduziram o volume estocado – a alta real gira entre 15% e 18%. Para o ano, a expectativa é de alta entre 12% e 15%.

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